Thursday, September 03, 2009

País e cidadãos sobrevalorizados

Como podem ser os Portugueses felizes, inteligentes? O salário mínimo é de quatrocentos e qualquer coisa. Idas ao cinema, ao teatro, compra de livros ou CD's ou DVD's? Dará? O Português está na posição para o poder fazer, sem ter de contar os tostões para os bens basilares de sobrevivência? Se faz umas férias extravagantes, e note-se que por extravagantes não se implica que se saia do país ou se vá para uma pousada ou hotel de cinco estrelas, enfim, como dizia se faz umas férias extravagantes com todos os membros da sua família núcleo, a quantia dispendida será muito provavelmente reposta num horizonte longínquo, e doloroso também, só de pensar que terá de passar por todo este esforço de dez, onze meses por uma ou duas semanas de descanso que, pesando todas estes factores, torna-se artificial. No meio do frenesim laboral, familiar, doméstico, do aperto financeiro, resta tempo para parar e observar? Aperceber-se do que conseguiu alcançar? Se nem o próprio cidadão deste país sabe do seu próprio valor, como poderá sorrir? Assim, não admira que Portugal seja tão bonito mas apreciado e visitado essencialmente pelos que vêm de fora. Assim, não admira que se diga que os Portugueses não são felizes, nem inteligentes.

Monday, November 19, 2007

Momentos sistémicos

Um ambiente que marca; o lusco-fusco com o Tejo à vista que engradece, uma lareira eléctrica que aconchega, o som do comboio que passa e faz viajar, o miúdo que carrega a mochila às costas e atrai um rol de memórias de outros momentos, o silêncio modernizado da televisão, o pressentimento de que algo vai correr bem… eis que as diversas leis e ordens do universo se decidiram aliar na criação deste segundo que ainda esculpe uma daquelas reminiscências que me acompanharão até ao último paroxismo.

Assim, sem imagens, ou melodias, apenas a memória imagética…

Sunday, October 28, 2007

Música

This would be the sort of music I would be inclined to do, should I have been born with the ability.

Alas! One way or another, I listen to it... and feel it.

Behold:

Thursday, July 19, 2007

Por que chorar alivia?

Let us behold this stand:

Something that is often said "Cry will make you good". Pain, be it physical or psychological, will make you cry. But what is the relation between that feeling and that physiological need?

Here's a possible explanation why crying eases your 'pain', by Barthes
(in Fragments d'un discours amoureux):

"Pelas minhas lágrimas, conto uma história, elaboro um mito de dor e então habituo-me: posso viver com ela, porque, ao chorar, ofereço a mim próprio um interlocutor enfático que recolhe a mais «verdadeira» das mensagens, a do meu corpo, não a da minha língua: «As palavras, o que são? Uma lágrima dirá mais»."

Saturday, May 26, 2007

"Abraço

O gesto do abraço apaixonado parece preencher, num momento, para o sujeito, o sonho da união total com o ser amado."

RBarthes

Quanta verdade!

Wednesday, March 07, 2007

Citação, novamente...

"The Minner, melancholy Man!
That works by taper light, while all the hills
Are shining with the glory of the day."

WW, The Prelude

Tuesday, November 07, 2006

Textos que falam comigo

I have the memory of a conversation with a friend of mine that, at some point, said something of the kind "It was like he was talking to me." I feel it too, once in a while. I guess that's when you grasp the real pleasure of reading. You start reading and you forget what you are actually doing. The words you read and your mind unite in one single state. I could just as well say that I agree with the author... However, for me, agreeing is one thing, acquiescing is another; you give in, you surrender to what is printed or uttered as if there is no other way to transmit it. Haven’t you often felt you had the word on the tip of your tongue? Haven't you almost yell "Exactly, that is exactly what I mean!"? Anyway, I'm not claiming a finding here, just rephrasing how one can be shaken by simple things such as paper and whatever coloured-scribbling.